A planta avelós (Euphorbia tirucalli) é oriunda da África, mas foi disseminada no Brasil e pode ser encontrada principalmente no Norte e Nordeste do Brasil. O ingenol, substância extraída desta planta, age nas células infectadas de forma a induzir a ativação do vírus.

A planta avelós (Euphorbia tirucalli) é oriunda da África, mas foi disseminada no Brasil e pode ser encontrada principalmente no Norte e Nordeste do Brasil. O ingenol, substância extraída desta planta, age nas células infectadas de forma a induzir a ativação do vírus.

Um dos maiores desejos dos cientistas que buscam a cura da aids é encontrar algum meio de eliminar os vírus HIV que se escondem no organismo, onde não são atingidos pelos antirretrovirais. O brasileiro Luiz Francisco Pianowski tem viajado por vários países apresentando os resultados obtidos a partir de pesquisas com a planta avelós, que já mostrou efetividade para “acordar” o HIV nos seus “esconderijos” em estudos feitos em laboratórios e em macacos.

Em entrevista à Agência de Notícias da Aids, ele disse acreditar que a cura está neste processo de eliminação total do vírus no organismo com o uso de medicamentos e fez previsões: “Com otimismo, em 2015 nosso produto estará desenvolvido para os pacientes. Deixando o otimismo um pouco de lado, 2020.”

Confira a seguir a entrevista:

Agência de Notícias da Aids: Ficamos sabendo sobre sua pesquisa sobre o uso da planta avelós para ativar os reservatórios de latência do HIV no organismo em 2012, na Conferência Internacional de Aids em Washington. Em que estágio está esta pesquisa atualmente?

Luiz Francisco Pianowski: Almicar Tanuri, Lucio Gama (outros pesquisadores brasileiros) e eu estivemos no início de dezembro em Miami para o 6th International Workshop on HIV Persistence during Therapy (6º Workshop Internacional sobre a Persistência do HIV durante as terapias). Lá, divulgamos nossos resultados até agora, que são surpreendentes. Apresentamos quatro pôsteres e o Lucio fez uma apresentação oral, na qual mostramos que o nosso produto tira o vírus da latência tanto in vitro como in vivo em macacos, segundo estudos feitos nos laboratórios Bioqual, perto de Washington, e no John Hopkins Hospital.

Agência Aids: E quais são as perspectivas de agora em diante?

pesquisador

Luiz Francisco Pianowski é pesquisador, presidente do laboratório Kyolab e membro do Conselho Científico da Amazônia. Farmacêutico com Doutorado em Tecnologia Farmacêutica (Porto-Portugal), Pianowski é um dos profissionais diretamente envolvido nas pesquisas de fitomedicamentos que visam o combate a alguns tipos de câncer (AM10) e ao vírus do HIV (AM12). Já trabalhou para os laboratórios Hebron S/A, Aché e prestou consultoria para o Laboratório Catarinense. Realiza pesquisas e palestras no Brasil e no exterior.

Pianowski: Entrarmos logo com os testes em humanos, pois já terminamos o estudo toxicológico em duas espécies animais na Alemanha. Creio que iniciaremos os testes em humanos em meados de 2014.

Agência Aids: O senhor acredita que a cura da aids está nesse processo de atingir os vírus escondidos nos reservatórios?

Pianowski: Acredito. Tanto pela lógica teórica como pelos estudos in vitro e in vivo efetuados e comprovados. Agora é uma questão de tempo e de se encontrar o medicamento certo, que espero ser o nosso, pois até agora ele passou por todos os passos necessários de prova de eficácia e de toxicologia em animais. Porém, nunca podemos ter 100% de certeza antes de mais estudos. Hoje, temos mais pesquisas em macacos em andamento e, logo, espero ter mais respostas positivas.

Agência Aids: Recentemente, a mídia destacou que dois norte-americanos dados como “supostamente curados” do HIV depois de terem sido submetidos a transplante de medula voltaram a apresentar sinais do vírus. Como o senhor vê o uso de transplantes em busca da cura da aids?

Pianowski: Este tipo de abordagem é diferente. Tenta-se reconstruir um sistema imunológico depois de destruí-lo e, com isso, ocorre a ação contra o HIV. No meu entender, isso por si só não bastaria, pois os reservatórios não estão somente nas células sanguíneas, mas em outros tecidos também, onde estão os vírus em latência.

Agência Aids: Um também recente caso de “cura funcional” do HIV num bebê norte-americano se deu, segundo os cientistas, porque o vírus foi morto antes de se esconder nos reservatórios, processo parecido ao do seu estudo com a planta avelós. O senhor acredita que esse bebê de fato está curado? Não daria para repetir a técnica em adultos? Iniciar rapidamente o tratamento antirretroviral numa pessoa recém infectada não possibilitaria impedir que o vírus chegasse aos reservatórios, conseguindo, assim, eliminá-lo por completo?

Pianowski: Não me sinto suficientemente apto para responder cientificamente a essa sua pergunta. Porém, no meu escasso entender, há muito tempo penso que quanto antes iniciado o tratamento, melhor para o paciente. Acredito nisso justamente por conta dessa lógica de que se temos menos reservatórios de vírus, as células CD4, de defesa do organismo, também não diminuirão tanto.

Agência Aids: Na sua opinião, o que falta para as pesquisas relacionadas à aids no Brasil?

Pianowski: O Brasil, no tratamento, é um dos países mais avançados do mundo. Creio que existem pesquisadores espetaculares no Brasil. Não sei sobre outras pesquisas, mas no nosso caso nunca recebemos um real do governo e, embora estejamos com a droga mais promissora do mundo e que pode levar à cura, parecemos invisíveis às autoridades federais e estaduais.

Agência Aids: Para o senhor a cura da aids está próxima?

Pianowski: Creio que a cura virá. Se for pelo produto da nossa pesquisa, ótimo, se for por outro, bom também. O importante é que esse mal seja exterminado.

Agência Aids: Consegue fazer algum tipo de previsão de tempo para isso?

Pianowski: Com otimismo, em 2015 nosso produto estará desenvolvido para os pacientes. Deixando o otimismo um pouco de lado, 2020.

Fonte: Lucas Bonanno, da Agência de Notícias da Aids, em 13/01/2013